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O que existe abaixo do solo

Se fosse possível atingir o ponto mais profundo de nosso planeta, teríamos que percorrer 6 370 quilômetros a partir do nível do mar. Nessa descida imaginária seriam reconhecidas principalmente três camadas: a crosta terrestre, o manto e o núcleo.              
Vamos estudar essas três camadas que formam a Terra

Núcleo: o centro da Terra é de ferro!
O núcleo é a porção central do nosso planeta. Ele tem cerca de 3 400 quilômetros de espessura. Possui duas partes: o núcleo interno e o núcleo externo. O núcleo interno é um imenso cristral de ferro sólido. O núcleo externo é líquido, pois é formado de ferro derretido.O núcleo interno tem uma temperatura de cerca de 4 000 graus Celsius e está imerso no núcleo externo. Acredita-se que o núcleo interno gira no mesmo sentido e um pouco mais rápido que a Terra.
Manto: pastoso, fervente, em constante movimento
Envolvendo o núcleo, existe uma grossa camada pastosa com cerca de 2 900 quilômetros de espessura: o manto. O manto terrestre é formado de magma, uma mistura pastosa fervente principalmente de silicato de magnésio e ferro. O manto tem uma temperatura aproximada de 3 500 °C.
O magma e o núcleo externo estão em constante movimento. Isso acontece porque o calor do núcleo interno (sólido) se propaga para o núcleo externo (líquido) e para o magma (pastoso), criando movimentos de subida e descida nessas partes líquida e pastosa.
A lava que sai de vulcões em erupção é magma.

Crosta: a camada superficial
A crosta terrestre começa logo acima do manto; é também chamada de litos fera. A espessura da crosta terrestre varia entre 10 e 70 quilômetros. Lembrando que para atingir o ponto mais profundo da Terra teríamos que imaginar um percurso de 6 370 quilômetros, você pode concluir que a crosta terrestre não passa de uma delicada “casca” externa. Os principais elementos químicos que formam a crosta são o oxigênio, o silício e o alumínio. Em menores proporções, a crosta também contém ferro, cálcio, sódio, potássio, magnésio, fósforo e enxofre, entre outros.

A crosta terrestre tem três camadas: rocha matriz, sobsolo e solo.
Rocha matriz: é a camada mais inferior da crosta. A rocha mãe se formou a partir do resfriamento da parte mais superficial do manto; é a rocha matriz que originou as outras duas camadas acima dela (subsolo e solo).
Subsolo: é a camada que fica entre a rocha matriz e o solo; contém fragmentos de rochas originais da rocha matriz. O subsolo fornece ao homem muitos recursos naturais como o carvão, o petróleo e vários tipos de minerais (minérios de ferro, de aluminio, cobre, prata etc.
Solo: é a camada mais fina da crosta terrestre. Fica na superfície externa da crosta. O solo se formou a partir da disintegração de fragmentos das rochas do subsolo. É essa fina camada que garante o desenvolvimento das plantas.
Existe uma ciência especial que estuda a origem e a composição da Terra: a geologia, ela analisa o passado e os processos de trasformação da Terra. Esse estudo começa pela análise de amostras (pedaços) de rochas

O QUE EXISTE NO SOLO
No solo há grãos minerais água, ar, organismos vivos, restos de plantas (folhas, galhos, raízes) e de animais e outros organismos mortos.
Os grãos minerais são fragmentados de rochas que podem ser classificados,quanto ao tamanho, em argila (grãos menores), silte e areia.
Esses restos de organismos dão decompostos continuamente por bactérias e fungos, que produzem uma matéria escura, chamada húmus. A medida que a decomposição continua, o húmus vai sendo transformado em sais minerais e gás carbônico.
A maioria das plantas possui uma raiz, um caule e folhas. A raiz fixa a planta no solo e absorve água e sais minerais formam a chamada seiva bruta, que é transportada pelo caule até as folhas. Em muitas plantas há vasos especiais, chamados vasos lenhosos que transportam essa seiva até as folhas.
Na folha ocorre a fotossíntese e são produzidos açucares.Esses açucares são levados para todas as partes da planta, formando a chamada seiva elaborada. Em muitas plantas há vasos especiais, chamados vasos liberianos, que levam essa seiva para toda a planta.
Resumindo podemos dizer que o solo é composto por uma parte mineral e por uma parte orgânica. A parte mineral é aquela que se originou da degradação das rochas. A parte orgânica é formada pela matéria orgânica em decomposição, formada por açúcares e outras substâncias encontradas principalmente nos seres vivos, e pelos diversos organismos que vivem entre partícula.
Por baixo da camada superficial do solo encontramos fragmentos de rochas. Finalmente, na camada mais profunda da crosta terrestre encontramos a rocha que deu origem ao solo-a rocha matriz.

O ser humano retira recursos minerais das camadas abaixo do solo. Parte da água da chuva, por exemplo se infiltra no solo e desce. A medida que se aprofunda, a água se infiltra nas próprias rochas e em suas fraturas, e para quando chega a camada de rocha impermeáveis. Formam-se assim os chamados lençóis de água ou lençóis freáticos, que abastecem de água os poços domésticos.


Os tipos de solo
O  tipo de solo encontrado num lugar depende de vários fatores: o tipo de rocha matriz que originou (magmática, sedimentar ou metamórficas), o clima da região, a quantidade de matéria orgânica que o solo contém a vegetação que o recobre e o tempo que ele levou para se formar.
Em climas secos e áridos a intensa evaporação faz a água enriquecida de sais minerais subir. Com a evaporação da água, uma camada de sais fica depositada na superfície do solo e impede que uma vegetação mais rica se desenvolva.
Já em climas úmidos com muitas chuvas, a água se infiltra no solo e carrega os sais para regiões mais profundas.
Outra diferença é a velocidade de escoamento da água, você já deve ter percebido que alguns tipos de solo secam logo depois da chuvas, enquanto outros demoram muito mais tempo para secar.
Essa diferença que afeta a fertilidade do solo, é resultado de certas características. Com essas características podemos classificar os solos, de forma bem simplificada,em três tipos arenosos, argilosos e humíferos.
Solos arenosos são aqueles que têm uma quantidade de areia  maior que a média (contem cerca de 70 % de areia). Eles secam logo porque são muito permeáveis,apresentam grandes espaços (poros) entre os grãos de areia. A água passa então com facilidade entre os grãos de areia e chega às camadas mais profundas.  Os sais minerais, que servem de nutrientes para as plantas, seguem  junto com a água. Por isso os solos arenosos são geralmente pobre em nutrientes utilizados pelas plantas.
Nos chamados solos argilosos as partículas de areia predominam (em geral eles contêm mais de 30 % de argila). A argila é formada por grãos menores que os da areia. Além disso, esses grãos estão bem ligados entre si, retendo água e sais minerais em quantidade necessária para a fertilização do solo e o crescimento das plantas. Mas se o solo tiver muita argila, pode ficar encharcado, cheio de poças, após a chuva.
A água em excesso nos poros do solo dificulta a circulação de ar e prejudica o desenvolvimento das plantas.
A terra preta, também chamada de terra vegetal é rica em húmus. Esse solo,chamado solo humífero, contém cerca de 10% de húmus e é bastante fértil. O húmus ajuda a reter água no solo, torna-se poroso e com boa circulação de ar e através do processo de decomposição dos organismos, produz os sais minerais necessários às plantas.
Os solos mais adequados para a agricultura possuem uma certa proporção de areia, argila e sais minerais utilizados pelas plantas, além do húmus. Essa proporção facilita a penetração da água e do oxigênio utilizado pelos microrganismos decompositores. São solos que retêm água sem ficar encharcados.
Mas existem plantas que conseguem  se adaptar muito bem a outros tipos de solo. Por exemplo, certas plantas conseguem armazenar rapidamente a água que passa pelo solo. Podem, assim, crescer em terrenos arenosos, que não retêm muita água. É o caso das palmeiras e dos coqueiros.
A atividade humana pode causar problemas para o solo. Por exemplo, algumas áreas do solo tornam-se desgastadas, pobres em determinados sais minerais, depois constantemente empregadas na agricultura.   
Outro problema quando os solos perdem a cobertura da vegetação natural, sua camada superior (que retém os sais minerais e a matéria orgânica) pode ser levada mais facilmente pela chuva e pelos ventos: é a erosão. Por isso é necessário que o solo usado para o cultivo seja cuidado, isto é preparado e tratado adequadamente.




Preparando o solo
O aumento da população tornou necessária a produção de quantidades cada vez maior de alimentos. Com isso a vegetação original das florestas e de outros ecossistemas foi praticamente destruída para dar lugar ao cultivo de plantas comestíveis e a criação de animais.
Hoje, o desmatamento é feito com máquinas (tratores e serras) ou com o fogo- são chamadas queimadas, que causam uma série de problemas. Além disso, muitas vezes a atividade agrícola é feita de forma errada. Como resultado, depois de alguns anos de produção os solos se esgotam e as plantas não crescem mais.
Para preservar o solo e garantir boas colheitas, são necessários certos procedimentos, que devem ser orientados por agrônomos.
Arando a terra
Em certos casos, quando o solo está muito compacto e duro, é preciso arar (lavrar) a terra. A terra é então resolvida (remexida) até que o solo fique fofo e poroso, permitindo a entrada do ar e da água.
Neutralizando a acidez
È importante que o agricultor realize uma análise do solo antes de iniciar o cultivo. Ele deve retirar uma amostra e encaminhá-la a laboratórios especializados, que vão identificar as características do solo e as deficiências que precisam ser corrigidas.
Se as análises mostram que o solo é muito ácido, por exemplo, o agricultor poderá aplicar calcário moído para reduzir a acidez. Essa  técnica é conhecida como colagem.
A acidez impede a reprodução de muitos microrganismos no solo.Isso prejudica o processo de decomposição da matéria orgânica e diminui a absorção de sais minerais pela planta.
A adubação
A análise do laboratório pode indicar também a necessidade de adubação, isto é, de acrescentar sais minerais que estão em falta no solo. A adubação é necessária após muitas colheitas, para repor os minerais que as plantas retiram do solo. Como as plantas são colhidas e levadas para longe seus nutrientes não retornam ao solo pela decomposição.
A adubação pode ser feita com adubos ou fertilizantes químicos, que são sais minerais extraídos ou produzidos industrialmente: é a adubação mineral ou orgânica. Esses adubos são, em geral, uma mistura de sais dos principais nutrientes necessários às plantas: nitrogênio, potássio e fósforo, entre outros.
Existe também adubação com restos de vegetais (folhas, galhos, cascas e arroz, etc.), farinha de ossos e estrumes de animais (boi, cavalo, porco, galinha, etc) que transformam em húmus, É a adubação orgânica. Na maioria dos casos, a adubação inorgânica e a adubação orgânica se complementam.
A quantidade adequada de água
Em regiões secas, onde não há chuvas suficiente para manter o solo úmido, muitas vezes é necessário regular o suprimento de água por meio de caneletas, esguicho ou outros recursos – é a irrigação.
Outras vezes, ao contrário, é preciso retirar a água que está em excesso construindo-se valas ou canais de drenagem. Lembre-se de que sem água as plantas não crescem, mas o excesso de água diminui a circulação de ar no solo, prejudicando a maioria das espécies vegetais.       



GEWANDSZNAJDER,Fernando:Ciências O planeta Terra,4ª Ed. São Paulo: Ática, 2009.

BARROS, Carlos: Ciências O Meio Ambiente, 3ªEd.São Paulo: Ática, 2006.

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